Alcei vôo nas arestas do mundo

achar quando, isto eu não sei.

 

 

Mas vou buscar fecundo

estou certo, encontrarei.

 

 

Sobrevoei vales e montes.

Rios sinuosos e aldeias.

 

 

Povoados aglomerantes,

selvas densas, inexploráveis...

 

 

Deserto em brasa...

Cruzei até os sete mares!

 


Vi povos distintos,

ouvi suas línguas dessemelhantes

 

Sol ardente, secante inclemente...

Claridade ofuscante.

 

 

Anoitecer prateado ou despojado...

trevas constantes...

 

 

Frio intenso, nevascas profusas...

Tudo intrigante.

 

Chuvas trovejantes, tormentas...

ventos uivantes...

 

 

Mas nada disto me detém.

Ir em frente me convém!

 

 

Dias aforei... noites adentrei...

 

Barra

Ouvi o clamor da fúria cega...

Procedeu batalha!

 

 

Arcabouços destroçados...

solo rubro...

 

 

Banquete dos vermes...

das aves famélicas...

 

Tanto algoz quanto vitima

nem um mérito a cortejar

 

 

Um pensa que vence,

o outro perde o pensar...

 

Barra

A diferença, semeia acintosos indiferentes

 

 

para o justo colher o parvo impudico resultante.

 

 

Admirei a fome suntuosa

habitar sofregamente

 

 

no mesmo tugúrio

da miséria faminta e torta

 

 

Ouvem-se brados...

 

MAS... QUEM SE IMPORTA?!

 

Observei castos

que dão pernadas no piso...

 

 

outros, em rios de lágrimas,

extraordinárias braçadas...

 

 

Firma o teu passo mortal sem compasso!

 

Geração dúbia... prole extraviada...

 

 

Teus sóis já são breves e desarrimados...

 

P'ra que anoitecer em descompasso?

 

Tanta birra me tirou a rima...

E quase esqueço a missão

 

 

de encontrar a cobiçada,

e arriscar união.

 

 

E enquanto aqui busco afeição,

 

acolá se controvertem em fel e vão...

 

Barra

Uma donzela eu avistei.

De cujo peito,

a amabilidade sobejava

 

 

Do Cavaleiro errante relatei,

dos teus enigmas alegava.

 

 

A púbere, interesse denotou.

Assentei-a em meu dorso,

ensaiei regresso.

 

 

Quando um sopro em meus ouvidos

austero apregoou:

 

 

- Criatura alada e fabulosa!

Apartai-te da donzela de fervor.

 

 

Trocai esta rosa majestosa

por qual desconhece o amor.

 

Deixei a moçoila de lado

nenhum desapontamento esboçou,

 

 

pois não lhe escassa extasiados

qual a voz me revelou.

 

Barra

Em nova busca me empenhei

uma dama triste a deparar.

 

 

Do ser dúbio asseverei

Um brilhantismo no olhar

 

Mas a dama é uma fada!

Padece de apego,

carece de fulgor...

 

 

E está aprisionada!

Só posso libertá-la

com meu mentor...

 

Barra

Vôo pleno muito apressado,

 

com o Cavaleiro

 

me encontrei.

 

Entusiasmado,

 

relatei o grande achado.

 

Ficou reflexivo,

 

creio que o motivei.

 

Barra

Doravante,

 

só me resta esperar

 

se a fada ele liberta,

 

qual rumo irá tomar...

 

 

 

 

 

 

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Autor
Drago

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Mundo Poeta
Junho - 2003