O tempo passa
a andar a pé
em passos lentos
quando o momento é triste



O tempo pára
nas pontes da vida
e nos rios de lágrimas.


 

O tempo voa
cura feridas abertas
e asas quebradas.


 

O tempo tramita
por ruelas paradas
nos semáforos da vida.


 

O tempo dorme
nos sonhos frustrados
de uma alma enterrada.


 

O tempo cresce
quando o corpo semeia
as almas do mundo.


 

O tempo sofre
com a esperança de vida
e o martírio da morte.

 

 

O tempo fecha
os olhos da alma
e as janelas da vida.


 

O tempo repassa
trechos da vida
que a saudade massacra.

 

 

O tempo abandona
na tez cansada
profundas rugas sombreadas.

 

 

O tempo corta
nas lâminas do vento
os fios de lembranças.


O tempo corre
na maratona da velhice
e nas ruas sem fim.

O tempo descansa
na relva molhada
dos parques fechados.

 

O tempo fala
para multidões eriçadas
pelos espetáculos encerrados.

 

 

O tempo julga
os réus culpados
nos tribunais escuros.

 

 

O tempo tortura
afoga as mágoas
e mata as saudades.

 

 

O tempo esculpi
os solitários pensadores
de um mundo inventado.

 

 

O precioso tempo possui
segundos que valem anos
e anos que valem vidas.






Autora do Poema
Emanuelle Beninca.

Âmago da fé

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Mundo Poeta
Maio 2003