O Prêmio do Herói


Prefácio


Para dar a conhecer a minha cidade de Santarém em Portugal, resolvi escrever crónicas baseadas na sua história antiga de mais de 30 séculos, pois as suas origens se perdem na bruma dos tempos, e até uma das lendas da sua fundação remete para uma visita do mítico herói grego Ulisses que se teria apaixonado pela filha do rei e desse amor deixou um príncipe chamado Abidis.

Foi habitada pelos antigos povos que invadiram a Península Ibérica, desde os Alanos e Visigodos, até ser ocupada pelos Romanos e depois pelos Árabes, no século VIII quando atravessaram o mar e se espraiaram em vagas sucessivas, vencendo os povos cristãos que se retiraram para as altas montanhas a norte, onde reagruparam forças para a reconquista dos territórios e cidades ocupadas.

Para esse efeito comecei a recordar a história da cidade que estava um pouco esquecida desde os tempos da escola, em que escrevi a minha primeira peça de teatro sobre o filho de Ulisses, Abidis, a quem se deve o primitivo nome da cidade Scalabis, a cidade de Abidis, pelo que até hoje os naturais de Santarém são chamados de Scalabitanos.

Nas minhas pesquisas reencontrei a história quase lendária de Pedro Escuro, que se notabilizou na reconquista de Santarém aos árabes no século XII ao defender uma das principais portas da cidade com tamanha valentia e heroicidade que ao deixar escapar um dos mouros que ainda de longe lhe gritava em ar de troça que haveria de voltar para vingar os seus companheiros, lhe respondeu a célebre frase que ficou para a história:

"Iredes e viredes e aqui me acharedes vivo ou morto!"

Fiel á sua promessa, mandou construir um hospital e uma ermida naquele local, e presume-se que terá ficado de guarda á porta, esperando a volta do inimigo, e quando faleceu a sua família cumprindo os seus desejos, mandou que fosse sepultado naquele local.

Os seus ossos foram transladados no século XVI para um túmulo onde se mantém até hoje, numa nova Igreja erigida sobre as ruínas da primitiva pelo rei D. Manuel I, o mesmo que mandou a armada de Pedro Álvares Cabral á descoberta do Brasil e a sua memória perpetua-se ainda com o seu nome dado a uma praça junto ao local da batalha.

No decorrer das minhas pesquisas sobre os locais e história da cidade, uma ponte se estabeleceu na minha mente ligando o passado ao tempo actual, e encontrando pontos comuns entre o herói do passado e uma pessoa do presente, que apresenta os mesmos traços heróicos, de persistência, bravura, honra, nobreza e galhardia, e que tem em si, recordações de vidas passadas ligadas á arte de guerrear e á cidade de Sancta Irena, nome porque era conhecida pelos cristãos do século XII, devido a outra lenda de uma santa virgem martirizada a quem foi construída uma igreja que ainda resiste com dificuldade á passagem dos séculos.

Este é o tema que deu origem ao conto O Prémio do Herói, em que factos da história e das lendas da cidade e de Portugal, se aliam a factos do presente, para resgatar um espírito errante através dos séculos, em busca das suas recordações e da sua cidade ancestral.

Arlete Piedade


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