Cāndido Machado Pinheiro
Brasil
kandido@brturbo.com


Caminhos e Sonhos

Muitos caminhos se encontram nas encruzilhadas do destino
Alguns se quebram nas dobras das esquinas, são quinas da vida
Outros próximos e ao lado não se cruzam, são paralelos e não se tocam
Todos são estradas viajantes, onde diversos obstáculos encontramos
Às vezes pedregulhos ou entulhos desafiam nossa passagem
Alguns são vencidos e outros contornados, são pedras da caminhada
Muitos são deixados à beira da estrada, não vêm ao caso
Outros quem sabe chamados carmas são levados como cruzes pela vida afora
E na poeira que se levanta há uma imagem em face de sacrifícios
Pois nem a chuva que refresca nosso corpo e que alimenta o sedento chão
É capaz de apagar as marcas que ficam de nossos passos
Estes são marcados por um suor derramado ao trilhar da viagem
São gotas que tingimos os desenhos e escritos nas páginas do tempo
E no calendário dos anos vamos riscando os dias passados
Deixando ao longo das primaveras o mais puro cheiro de existência
Um aroma de nossa essência, perfume que identifica nossas pegadas

Muitas são as sementes de sonhos que jogamos nos caminhos de outrora
Algumas são desprezadas e esquecidas a beira dos passos
Relegadas à própria sorte ou ao tempo, às vezes vingam e afloram
Outras por interesse plantamos e nas margens das águas cultivamos
Nem sempre rompem a rigidez do solo, nem ao sol forte vencem
Pois não basta apenas plantar nem tampouco esperar crescer
É preciso preparar a terra e adubar com carinho para florescer
Pois não existe terra fértil se o coração for estéril, não adianta apenas desejar
É preciso querer e fazer acontecer, é necessário amor para água chover

Nossas pegadas são sementes, os caminhos são terras que pisamos
Sonhos nos levam a muitos lugares e o chão percorrido a muitas chegadas
Onde em muitas vezes nos encontramos num instante sonhador
Pois paramos o tempo e descansamos ao colo do amor
E sem temor continuamos arriscando a caminhada na incerteza da escolha
Do continuar retilíneo nossa jornada ou seguir um tortuoso caminho
São peças de um inesperado destino ou coincidências da vida
Podem ser ou não enganos, pois existem muitas trilhas
Da paixão ao amor eterno há uma distância de sentimentos
Em que um é o fogo alucinante do corpo e da mente
E o outro é o bater profundo de um coração sereno em eterno momento

Mas no final, sem dúvidas, existe uma linda árvore frondosa,
Majestosa em sombra acolhedora e refrescante, à nossa espera
É o fim da jornada, nosso recanto derradeiro e de íntima reflexão
De olhar para trás e percorrer em pensamento tudo o que foi viajado
Vivenciar a dúvida se o caminho escolhido e percorrido era nosso ou de outrem
Neste momento não adianta mais nada, pois somos o resultado de nossas escolhas
Pouco ou muito interessa se a direção tomada não tenha sido acertada
E se as sementes que ao longo não germinaram foram apenas sonhos sonhados
Pode ser que aconteça um arrepender daquilo que não se fez
Ou talvez de alguns feitos indevidos, frutos impulsivos de vontades incontidas
Pouco importa, não há mais hora para andar, nem mesmo nenhum passo à dar
Apenas esperar e descansar a sombra dos braços da árvore frondosa
Este é o final do caminho, uma triste ou alegre chegada
Não há mais partida para novos sonhos, pois o nosso tempo o vento levou...

Cândido Pinheiro
02 Maio 2004
Santa Maria - RS - Brasil

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